Segunda-feira, Janeiro 30, 2012

«Eu ser descoberto em 2198» na Revista Ler



O número de Janeiro de 2012 da Revista Ler, já nas bancas, traz um interessantíssimo artigo sobre Fernando Pessoa, da autoria do Prof. Jerónimo Pizarro, com o título "Eu ser descoberto em 2198". Nele o investigador pessoano traz à luz um inédito de Pessoa relacionado com a análise da sua data de nascimento - um tema querido a todos os que já tenham lido um pouco da obra de Pessoa em redor do Sebastianismo. Imperdível e por isso mesmo disponibilizamos a todos o acesso ao artigo completo, bastando clicarem aqui para o lerem.

Sexta-feira, Janeiro 27, 2012

N.º 2 da Revista Modernista



O número 2 da Revista Modernista, revista online de estudos modernistas do Instituto de Estudos sobre o Modernismo, já está disponível para leitura aqui. Destacam-se, neste número, os artigos apresentados no encontro Álvaro de Campos e arredores que decorreu em Tavira há alguns meses atrás.

Esta publicação está a tornar-se uma referência e como sempre todos os artigos são gratuitos e podem ser lidos simplemente através de um acesso rápido ao site. Boas notícias para todos os apaixonados por Pessoa :)

Quinta-feira, Janeiro 26, 2012

"Fernando Pessoa - Outramento e Heteronímia" - Uma Apreciação Crítica



Como prometido começamos hoje a recensão de três obras da Instituto Piaget Editora. O primeiro livro de que vamos falar é "Fernando Pessoa - Outramento e Heteronímia", escrito por António Azevedo.

Este pequeno volume, com pouco mais de 120 páginas, apresenta um resumo conciso e bem conseguido do que é o fenómeno da heteronímia e como ele se relaciona com a necessidade de "outramento" em Fernando Pessoa.

O autor parte a "viagem de outramento", cronologicamente, em três fases: dispersão do eu, criação dos heterónimos e criação dos semi-heterónimos. Julgo que foi a primeira vez que vi o processo descrito de forma tão sintética e devo dizer que torna a compreensão do mesmo mais fácil. Não quer isso dizer que tenhamos necessariamente de concordar com esta progressão. Há sobreposição de alguns semi-heterónimos na fase heteronímica, por exemplo, e não se pode propriamente dizer que a dispersão do eu tivesse terminado necessariamente com a criação da personalidade heteronímicas mais fortes.

A maior força deste volume acaba, por isso mesmo, por ser a sua maior fraqueza. O autor tenta, com grande decisão, organizar um processo que é por natureza caótico, explanando-o de forma racional. Mas, no que toca à tentativa, ela é uma tentativa muito boa. Serviria mesmo, em retrospectiva, de plano elaborado para um objectivo que não se chega a perceber bem qual é - apenas se fala na produção de uma espécie de "arte superior".

Se é certo que Pessoa considera que falhou no seu projecto, não é menos verdade que o livro também falha em demonstrar isso mesmo. É demasiado organizado e planeado quando nos parece que nada no processo de "outramento" foi planeado. Mesmo quando Pessoa decide criar os heterónimos ele é impulsionado por uma pulsão externa: a enorme influência de Sá-Carneiro, que não é muito reforçada neste estudo.

Também existem mais algumas lacunas, sobretudo no estudo dos pré-heterónimos, sendo apenas abordado com alguma profundidade Alexander Search.

"Fernando Pessoa - Outramento e Heteronímia" acaba, em resumo, por ser um estudo muito honesto e bem conseguido do que seria um plano heteronímico, no entanto fica curto desse objectivo simplesmente porque na realidade não houve plano nenhum. Desde logo a "morte do eu", atirada para razões de estética e filosofia, não foi mais do que uma reacção instintiva a factores externos inegáveis, de raiz iminentemente psicológica. Não há, em muito da heteronímia, senão mesmo em toda ela, nada de literatura que não seja, antes, de razão de vida. Estes estudos, por muito valiosos que sejam, correm sempre o risco de desumanizar um poeta que, antes de poeta, era um homem.

Um agradecimento à Instituto Piaget Editora pelo envio de um exemplar para análise.

Quarta-feira, Janeiro 25, 2012

Pessoa em cena na Venezuela



"Pessoas o fados de Pessoa" é o nome de uma encenação de teatro musical a partir de textos de Fernando Pessoa que está agora em cena na cidade de Caracas, capital da Venezuela, no Teatro Trasnocho.

«O espectáculo é feito em português e espanhol, por cinco artistas venezuelanos, como uma homenagem à alma portuguesa. É uma obra muito especial porque há muita sensibilidade», explicou um dos artistas à Agência Lusa.

Terça-feira, Janeiro 24, 2012

Edições originais de "Mensagem" e "35 Sonnets" vão a leilão



Vão a leilão, no próximo dia 31 de Janeiro, às 21h30, duas raras primeiras edições de "Mensagem" e "35 Sonnets", ambas autografadas pelo autor e com dedicatória. A venda será feita pela WORLD LEGEND – Leiria & Nascimento.

Segunda-feira, Janeiro 23, 2012

"On the Margins of Fernando Pessoa’s Private Library"


O
último número da revista Luso-Brasilian Review (n.º 48.2) traz um interessantíssimo artigo de Patricio Ferrari intitulado "On the Margins of Fernando Pessoa’s Private Library".

No artigo Ferrari toca dois pontos essenciais: a propriedade/claim de livros por personalidades pré-heteronímicas e a marginalia produzida sob o nome de Alberto Caeiro.

Quanto ao primeiro ponto é notável observar como Pessoa, mal chegado a Durban, começa a marcar os seus livros com identidades paralelas à sua, a primeira das quais é a de um tal "Pip", ainda sem particulares deveres ou obrigações de produção heteronímica. Já David Merrick, encarregado de escrever pequenos contos assina com o seu nome um livro correspondente - Ferrari supõe logicamente que este processo de ownership era parte do próprio ritual de encarnar o heterónimo, pois quem escrevia contos devia possuir livros de contos. Outros dois pré-heterónimos também pouco conhecidos - Lucas Merrick e Sidney Parkinson Stool - tinham livros assinados na biblioteca. Pessoa, à medida que ia lendo diversos géneros de literatura, iria inventando vários autores dentro de si mesmo, explicando-se desta forma uma espécie de hipótese da génese da heteronímia a partir da sua (cada vez mais vasta) biblioteca pessoal. Há medida que ia adquirindo livros, os pré-heterónimos tornavam-se, eles próprios, também mais complexos, como entendemos da análise que Ferrari faz dos livros assinados depois por C. R. Anon e Alexander Search - aliás, estes últimos são aqueles que começam a ter realmente uma produção literária já significativa, ultrapassando definitivamente a barreira de leitores para escritores.

O caso de Caeiro é dado como mais complexo e elaborado. Segundo Ferrari, Caeiro seria construído enquanto um original e por isso mesmo livre de influências, não assinando livros. Bem se compreende, conhecendo a educação humilde do Mestre. No entanto é muito curioso que Ferrari indique que é Search que primeiro lê as Leaves of Grass de Whitman e assine esse livro como seu - em que medida Search serviu de molde para Caeiro não é claro e Ferrari não chega a tomar esse passo na sua análise parecendo considerar que Search foi uma espécie de cadinho de experiências para toda a experiência heteronímica futura.

A conclusão seria a de ver os pré-heterónimos como entidades separadas e em evolução, preparando (inconscientemente) a entrada em cena dos heterónimos principais. Assim, os primeiros liam e possuíam livros, mas os últimos não, porque já não seriam propriamente influenciados mas influenciadores - dados a comentários eventuais nas suas leituras, mas mais independentes na sua formação literária própria.

Pessoalmente achei o artigo de Patricio Ferrari admirável, na sua construção e nas questões que levanta; sobretudo na maneira como nos faz pensar em Pessoa como um leitor e sobretudo como um escritor-leitor (e leitor-escritor). Gostaria apenas de ter visto um pouco mais estruturada a questão da transição de Search para os heterónimos "tardios" ou "inteiros". Também seria interessante falar da vontade de Pessoa em se livrar das suas influências - Ferrari fala um pouco disto, mas ao ler pareceu-me uma análise algo superficial. Podemos lembrar algumas passagens do diário de Pessoa de 1910 que poderiam ter entrado neste artigo tornando-o (ainda) mais rico:

"Embora tenha sido leitor voraz e ardente, não me lembro de qualquer livro que haja lido, em tal grau eram as minhas leituras estados do meu próprio espírito, sonhos meus — mais, provocações de sonhos".

(...)

"Ultrapassei o hábito de ler. Deixei de ler seja o que for, excepto jornais, literatura ligeira e livros casualmente acessórios a qualquer assunto que possa estar a estudar e a respeito do qual o simples raciocínio seja suficiente.

Quase deixei cair a literatura como tal. Poderia lê-la para aprender ou por prazer. Mas não tenho já nada para aprender, e o prazer extraível dos livros é de um género que pode ser substituído com proveito pelo que o contacto com a natureza e a observação da vida pode oferecer-me directamente.

Estou agora de posse das leis fundamentais da arte literária".
Qualquer escritor poderá atestar a importância desta questão - até que ponto ele é influenciado pelas suas leituras e onde começa a sua originalidade e terminam as suas influências. Se lermos o artigo de Ferrari em conjunção com o diário podemos talvez concluir de forma mais completa que Pessoa passou por esta mesma fase de afirmação (algumas vezes megalómana), achando a necessidade de se afirmar "para além" das suas leituras. Os heterónimos são essa mesma afirmação, provavelmente efectuada entre 1910 e 1914.

Sexta-feira, Janeiro 20, 2012

"Fernando Pessoa - uma quase Autobiografia" - os últimos desenvolvimentos



A última grande biografia de Pessoa a ser lançada - "Fernando Pessoa - uma quase Autobiografia" - da autoria de José Paulo Cavalcanti, continua a ser um grande sucesso no Brasil está prestes a chegar a Portugal, editada pela Porto Editora em princípio no mês de Abril.

No Brasil o volume vai já na 6.ª edição, com 30 mil exemplares vendidos. Temos notícias de estar previsto um audiobook em breve, com o nosso Ricardo Pereira a fazer a voz de Pessoa (que fala muito na própria voz na biografia). Haverá ainda um filme para televisão mostrando a Lisboa de Fernando Pessoa.

Estas notícias revelam a grande força de Pessoa no Brasil, onde é muito mais celebrado, estudado (e apreciado) do que em Portugal. Não dizemos infelizmente porque não seria justo para os nossos irmãos de pátria, porque partilhamos afinal a mesma língua. Apenas desejamos para o nosso próprio país um vigor parecido.